quarta-feira , 18 outubro 2017
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Medição do pó preto não é feita há 7 meses na Grande Vitória

Desde junho do ano passado, a população da Grande Vitória até sabe o que é sofrer com a constante emissão de pó preto no meio ambiente. Só não tem a mínima noção da quantidade em que é atingida. Em janeiro, pelo sétimo mês consecutivo, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) não avalia a quantidade da poeira sedimentada – como é chamado o pó preto – que chega ao ar.

O órgão do Estado alega que foi encerrado o contrato com o laboratório que fazia a medição. E que um novo edital foi preparado. Mas ele não foi lançado, ainda, porque precisa passar por ajustes jurídicos, a pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

“Estamos preparando o processo licitatório. Ele retornou para nós em novembro para ajustes”, afirma o secretário de Estado de Meio Ambiente, Aladim Cerqueira. Embora diga que os ajustes ficarão prontos em janeiro, o secretário não arrisca data para lançamento do edital. “Queremos o mais rápido possível”, diz Cerqueira.

A medição era feita desde abril de 2009, em 11 pontos espalhados por Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica. Houve interrupção de setembro a dezembro de 2013, mas a medição foi retomada em janeiro do ano seguinte. O laboratório era responsável por calcular quanto de poeira sedimentada se acumulava em cada um dos 11 locais em um mês.

O padrão de poeira considerado aceitável é de 14 gramas por metro quadrado, recolhidos em um período de 30 dias. Esse índice foi estabelecido pelo decreto estadual nº 3463-R de 16 de dezembro de 2013.

O secretário afirma que “o que se deixou de medir foi a poeira sedimentada, mas que o monitoramento da qualidade do ar continua”.

Aladim Cerqueira cita ainda que os dados eram usados nas estatísticas para políticas antipoluição. “Tem um inventário sendo feito para saber de onde vem a poeira”, afirma Aladim.

População

Enquanto isso, a população sofre com a poeira. “Aqui está havendo poluição muito grande. A Mata da Praia está sendo toda atingida”, diz Lussemberg Machado, presidente da associação de moradores do bairro.

Assim como ele, o coordenador de Meio Ambiente da associação, Demilson Guilherme Martins, foi pego de surpresa com a notícia da falta de medição. “Tem que monitorar esse processo. A falta de índice só leva a informação errada.”

Empresas podem ter de pagar pelas avaliações

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Aladim Cerqueira, relatou que associações de moradores, o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Federal estão se unindo para formar um comitê de combate à poluição.

Uma das ideias do comitê é que as oito empresas identificadas como principais emissoras de partículas poluentes sejam responsáveis por contratar a empresa para medir a poluição e arcar com custos. Hoje, essas empresas repassam para o Estado, como forma de compensação, verba proporcional ao que cada uma emite no meio ambiente, segundo o secretário. O dinheiro é revertido para ações antipoluição.

“A ideia é que as empresas contratem sem precisar passar dinheiro para o Estado. O comitê vai fiscalizar e, a partir dos dados, criar políticas”, diz o secretário, que afirma que o processo de seleção do laboratório para medir a presença de partículas sedimentadas está garantido.

Entenda

Medição

Iema

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) media a emissão de partículas sedimentadas no ar da Grande Vitória desde abril de 2009. Mas a última avaliação foi feita em junho do ano passado. Janeiro é o sétimo mês consecutivo sem resultados.

Locais

A medição era feita em 11 pontos distribuídos pela Grande Vitória: Laranjeiras e Carapina, na Serra; Enseada do Suá, Centro, Hotel Senac e Clube Ítalo Brasileiro, em Vitória; Ibes e Centro, em Vila Velha; e Cariacica.

Como

Um tipo de recipiente é colocado nesses locais, onde é medido o quanto de poeira sedimentar se acumula em 30 dias.

Limite

O limite considerado aceitável é de 14 gramas por metro quadrado, em 30 dias.

Sem medição

Motivos

Segundo o Iema, a medição não está sendo feita porque o contrato com o laboratório que era responsável pelo serviço foi encerrado. O edital de contratação de uma nova empresa foi preparado mas a Procuradoria Geral do Estado (PGE) pediu, em novembro passado, que fossem feitos ajustes técnicos. Os ajustes não estão prontos, mas estão previstos para janeiro.

Retorno

Depois dos ajustes, o documento voltará para aprovação da PGE e poderá então ser lançado. Não há prazo para isso acontecer.

Morador da Ilha do Boi, um dos bairros mais atingidos pelas partículas sedimentadas, o popular mas nada querido pó preto, Eraylton Moreschi Júnior desobstrui mensalmente as calhas de sua casa, entupidas pela poeira. Como resultado, juntou em 30 dias cinco quilos de pó preto.

“Agora estamos na época crítica. Muito quente, vento nordeste vindo forte e menos chuva”, diz Moreschi sobre a combinação que faz sofrerem ainda mais os moradores que já são atingidos ao longo do ano emissão de pó preto por empresas, entre as principais citadas, a mineradora Vale e a siderúrgica ArcelorMittal.

“Não quero correr o risco de entupir minhas calhas”, acrescenta Moreschi.

Ambientalista, ele já fez diversas denúncias aos órgãos fiscalizadores sobre o problema. “Mas hoje eles não têm nem como dar resposta porque não tem medição”, diz em referência a falta de análise desde junho, pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), da quantidade de partícula sedimentada que chega ao da Grande Vitória.

Protesto

Outro que sofre há anos com o problema é o artista plástico Kleber Galvêas, que há duas décadas coloca uma tela branca por 50 dias em seu ateliê, na Barra do Jucu, para então formar imagens. Todo ano, no dia 17 de março, ele coloca a tela branca exposta ao ar livre.

“E aí, no dia 6 de maio, transcorridos 50 dias de exposição à poeira, esfregando com os dedos, eu faço os desenhos criticando a poluição”, explicou. Assim, ele registra há anos a poluição na Grande Vitória. (Katilaine Chagas e Rafael de Barros)

Indústrias dizem que monitoram fontes

A ArcelorMittal Tubarão informa que suas operações são contínuas e ininterruptas, 24 horas por dia, todos os dias da semana, não tendo sido registrada qualquer alteração em seu processo operacional nas últimas semanas. Acrescenta que, “como é de praxe, todas as fontes fixas de emissão (chaminés) têm sido monitoradas continuamente sendo os dados repassados ao órgão ambiental para verificação da conformidade legal”.

Já a Vale comunica que as condições climáticas dos últimos dias, com a incidência de fortes ventos e altas temperaturas, propiciam o aumento na dispersão de material particulado de diversas fontes. Para enfrentar as condições climáticas extremas deste verão, a Vale colocou em prática um conjunto de ações que busca intensificar os controles já utilizados rotineiramente na empresa.

“Essas ações se somam aos recentes investimentos realizados pela empresa, como a conclusão das obras de fechamento do transportador das correias que alimentam o píer de minério e que fazem parte do conjunto de melhorias voltadas a reduzir a dispersão de material na atmosfera”, diz o comunicado.

 

Fonte: Gazeta Online

Foto: Carlos Alberto Silva

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